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O colapso político de Cabedelo: PF investiga contratos de R$ 270 milhões e mira nova gestão







Edvaldo Neto (Avante). Foto: Plínio Almeida/TV Cabo Branco /   

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (14), a Operação Cítrico, uma ofensiva que atinge diretamente o núcleo da nova gestão municipal de Cabedelo apenas 48 horas após o encerramento da eleição suplementar que deu vitória a Edvaldo Neto (Avante). A investigação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias em contratos que somam R$ 270 milhões.

De acordo com os relatórios preliminares da Polícia Federal e do Ministério Público, apura-se o uso de empresas de fachada que estariam operando em consórcio com organizações criminosas para o desvio de recursos públicos. O foco central das diligências é a continuidade administrativa de contratos de serviços essenciais que, segundo os investigadores, serviriam como mecanismo de retroalimentação financeira para a facção denominada "Tropa do Amigão".

Cronologia e Mecanismos do Sistema Político Local

O histórico de instabilidade em Cabedelo revela uma transição de modelos criminosos que se sobrepõem à estrutura administrativa do município. O que as investigações demonstram é que as organizações criminosas não realizaram uma ruptura com o sistema, mas encontraram engrenagens burocráticas previamente vulneráveis a práticas de desvio de finalidade.

Operação Xeque-Mate (2018)

A crise institucional contemporânea teve como ponto de partida a Operação Xeque-Mate. Naquele período, as provas colhidas pela Polícia Federal indicaram que o sistema político municipal já operava sob a lógica da mercancia de mandatos. O então prefeito Leto Viana foi alvo de uma investigação que detalhou a compra da renúncia do antecessor e o controle do Legislativo via funcionários fantasmas. Este cenário de desvios em áreas básicas como saúde e educação serviu de base estrutural para a evolução dos esquemas seguintes.

Operação En Passant (2020-2024)

Com a evolução das investigações, o foco das autoridades migrou da corrupção administrativa para a ocupação territorial. A Operação En Passant detalhou como a simbiose entre o poder público e o crime organizado se institucionalizou. Em vez de apenas desvios financeiros isolados, as facções passaram a atuar como reguladoras do processo eleitoral. Em bairros periféricos, o controle do fuzil substituiu o debate político, garantindo que apenas candidatos específicos realizassem campanha, enquanto cargos públicos eram utilizados para remunerar familiares de lideranças criminosas.

A Queda de André Coutinho

No dia 3 de abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou a compreensão de que a democracia local foi substituída por um consórcio do crime. A cassação de André Coutinho fundamentou-se no fato de que o sistema político, movido por influência e dinheiro, havia se atrelado definitivamente ao poder de coação das facções. O tribunal classificou o episódio como "aliciamento violento", confirmando que a máquina pública passou a financiar, via contratos fraudulentos, o esquema de domínio territorial.

Operação Cítrico 

Mesmo após a eleição suplementar do último domingo (12), os fatos recentes indicam que a estrutura de desvios possui natureza sistêmica. A deflagração da Operação Cítrico dois dias após o pleito foca em contratos de R$ 270 milhões. Para os investigadores, a persistência dessas empresas de fachada demonstra que a saída de gestores individuais não interrompeu o fluxo de retroalimentação financeira entre a prefeitura e a facção "Tropa do Amigão".

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