Brasil e Japão se enfrentarão no mata-mata da Copa do Mundo de 2026. — Foto: Reuters
A fase de grupos ficou para trás e a margem de erro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 acabou. O confronto contra o Japão, válido pelos 16-avos de final no Estádio de Houston, marca o início do verdadeiro torneio eliminatório para uma equipe que precisa demonstrar consistência se quiser espantar os fantasmas das quedas recentes. O desafio contra a equipe asiática exige uma postura tática muito mais madura do que a apresentada nos três primeiros jogos.
A Seleção chega ao mata-mata respaldada por duas vitórias sólidas contra Haiti e Escócia, ambas por 3 a 0, resultados que ajudaram a diluir a desconfiança após o empate por 1 a 1 na estreia contra o Marrocos. O grande trunfo brasileiro até aqui tem sido a verticalidade do ataque, com Vinicius Júnior assumindo de vez o protagonismo técnico e definindo as jogadas no terço final do campo. No entanto, o Japão dificilmente oferecerá os mesmos espaços generosos deixados pela defesa escocesa.
Nos últimos ciclos, a seleção japonesa consolidou um modelo de jogo extremamente incômodo para equipes propositivas. Eles apostam em compactação defensiva, linhas próximas e transições em altíssima velocidade. Com atacantes rápidos e disciplinados, os japoneses são especialistas em explorar as costas dos laterais adversários. Isso exigirá atenção redobrada de Danilo e da cobertura dos volantes nas recomposições, visto que a defesa brasileira historicamente sofre quando o time avança em bloco e deixa corredores abertos para o contra-ataque.
O jogo de paciência será fundamental. Tentar resolver a partida nos primeiros quinze minutos, desorganizando o meio-campo por afobação, é exatamente o cenário que o Japão desenha para dar o bote. A chave para furar o bloqueio adversário passará pela leitura de jogo na faixa central, utilizando a aproximação de Lucas Paquetá e Bruno Guimarães para trocar passes curtos, balançar a marcação e só então acionar os pontas no mano a mano.
Nas ruas, o clima de Copa finalmente suplantou as festividades locais. No Alto Sertão paraibano, o cansaço do encerramento do Xamegão com o show do Menos é Mais no domingo rapidamente deu lugar à tensão típica do mata-mata. As bandeirolas de São Pedro que ainda cobrem o centro de Cajazeiras agora dividem o visual com as camisas verde e amarelas. Para o comércio e os bares no entorno da Praça Dom Adauto, o dia do jogo assume ares de feriado não oficial, misturando a ressaca da maratona junina com a expectativa pelo futebol.
O apito inicial no calor do Texas colocará à prova não apenas a técnica, mas a estrutura emocional do time. O Brasil precisa demonstrar que tem repertório para avançar com autoridade. Vencer o Japão significa provar que a equipe tem estofo para brigar pela taça; qualquer desatenção tática, por outro lado, pode custar o sonho do hexa logo no primeiro degrau da fase eliminatória.