Bombeiro russo em refinaria da Gazprom Neft atingida por ataque perto de Moscou — Foto: REUTERS/Tatyana Makeyeva
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A guerra finalmente mudou de endereço. Durante muito tempo, o cidadão moscovita acompanhou o conflito pelo noticiário da TV, encarando tudo como um problema distante, bem longe do seu quintal. Mas esta última semana de junho rasgou essa ilusão de segurança de forma brutal. A Ucrânia decidiu quebrar as regras do jogo, furou o bloqueio e jogou o caos direto no colo do Kremlin.
Em uma escalada que ninguém previa, quase 200 drones rasgaram o céu da capital russa na maior ofensiva de longo alcance orquestrada por Kiev até aqui. O alvo não foi escolhido ao acaso, eles foram direto na jugular energética de Moscou: a Refinaria de Petróleo em Kapotnya. Quem viu as imagens sabe do que se trata. A explosão fez a tampa de um tanque de combustível gigantesco voar pelos ares como se fosse feita de papel. A pancada é dura porque o complexo não é apenas simbólico; ele simplesmente banca 40% de toda a gasolina e quase metade do diesel que faz a capital russa funcionar.
O impacto na rotina da cidade foi imediato e caótico. Tente visualizar o aeroporto de Sheremetyevo — o coração da aviação do país — parando absolutamente tudo às pressas. Foi um pandemônio de evacuações, sirenes e centenas de voos cancelados em efeito dominó. Pior do que a paralisação logística foi o estrago civil, já que os destroços dessa chuva de drones acertaram prédios residenciais e deixaram dezenas de feridos. A mensagem foi entregue: não há mais área intocável.
O clima não esfriou no fim de semana. A madrugada de sexta-feira (26) foi um teste de nervos, com o prefeito Sergei Sobyanin precisando vir a público dizer que abateram 28 aeronaves não tripuladas em questão de sessenta minutos. No sábado, a troca de chumbo continuou pesada. E se havia alguma dúvida sobre quem puxou o gatilho, Volodymyr Zelensky não fez a mínima questão de esconder a mão. O presidente ucraniano assumiu a autoria e mandou a real: o objetivo é sufocar e paralisar a máquina industrial e militar russa, forçando a população do país agressor a engolir a realidade amarga da guerra que o próprio governo começou.
No fim das contas, a narrativa russa de que a sua capital era impenetrável ruiu. A outrora temida defesa aérea de Moscou mostrou ter falhas gravíssimas, e a realidade da escassez de combustível, do alerta aéreo constante e do medo virou a nova rotina de quem até ontem achava que a guerra era apenas um programa de televisão.
