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Dez Anos da Chacina de Pioz: O Caso da Família Paraibana Assassinada na Espanha



Há exatos 10 anos, em 17 de agosto de 2016, a pequena cidade de Pioz, na Espanha, foi cenário de um dos crimes mais brutais já registrados, que ficou conhecido como a "Chacina de Pioz". As vítimas, originárias da Paraíba, haviam deixado o Brasil em busca de um futuro melhor no continente europeu, mas tiveram suas vidas ceifadas por um de seus próprios familiares.

O Crime François Patrick Nogueira Gouveia, na época com 19 anos, assassinou seu tio, Marcos Campos Nogueira, a esposa de Marcos, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina, de 4 anos, e David, de apenas 1 ano.

O jovem viajou para a Espanha em março de 2016 com o sonho de ser jogador de futebol. Seu tio, Marcos, o acolheu em casa, mesmo sob os alertas e apreensões da família no Brasil. No entanto, o convívio diário na casa durou apenas 5 meses e rapidamente se deteriorou, motivado principalmente por atritos cotidianos e a falta de colaboração de Patrick nas tarefas domésticas.

No dia do massacre, Patrick foi à residência e matou primeiro a tia, com uma facada na cozinha, seguida das duas crianças no quarto. Após os três primeiros assassinatos, ele esquartejou os corpos e os colocou em sacolas plásticas. Enquanto aguardava a chegada do tio Marcos, que estava trabalhando, Patrick enviou mensagens pelo celular para um amigo no Brasil. Quando Marcos chegou, também foi assassinado. Os corpos só foram descobertos um mês depois do crime.

Patrick chegou a fugir para o Brasil antes da descoberta dos corpos, mas posteriormente se entregou às autoridades, confessou os assassinatos alegando uma "necessidade de matar", e foi condenado na Espanha a três penas de prisão perpétua, além de mais 25 anos de reclusão pelo assassinato da tia. Sua primeira revisão de pena está prevista apenas para 2041.

O Processo no Brasil Enquanto Patrick cumpre sua pena em solo espanhol, a Justiça da Paraíba ainda lida com os desdobramentos do caso. Durante as horas em que ficou aguardando o tio chegar em casa e após já ter matado três pessoas, Patrick trocou mensagens com seu amigo, Marvin Henriques Correia.

Marvin, que morava em João Pessoa, chegou a incentivar e passar "dicas" ao assassino pelo aplicativo de mensagens. Por esse motivo, ele foi denunciado por coparticipação no crime. Absolvido inicialmente em 2021, Marvin viu seu processo ser reaberto pela Justiça em 2023. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso da defesa que tentava transferir a jurisdição do caso, mantendo o processo ativo na Paraíba até hoje.

Uma década após a tragédia, a história segue chocando tanto o Brasil quanto a Espanha pela frieza brutal da execução e pela quebra de laços de confiança familiar.

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