360
Home Notícias Esportes Negócios Saúde Cultura Guerra Institucional
O SERTÃO
Inscrever-se

Meta vai a julgamento nos EUA sob acusação de prejudicar crianças e adolescentes nas redes sociais

A Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, enfrenta um dos julgamentos mais importantes de sua história nos Estados Unidos. O processo começou nesta semana em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e coloca no centro da discussão uma pergunta que também interessa às famílias do Sertão: até onde as redes sociais podem ir para manter crianças e adolescentes conectados?

A ação reúne 29 estados americanos, com Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey à frente. Os procuradores acusam a Meta de ter desenvolvido recursos de suas plataformas para aumentar o tempo de permanência dos jovens, mesmo sabendo dos possíveis riscos relacionados ao bem-estar deles.

Nesta quarta-feira (19), um dos principais personagens do julgamento voltou a prestar depoimento: Arturo Béjar, ex-funcionário da Meta. Ele trabalhou na empresa entre 2009 e 2021 e afirma que alertou executivos sobre problemas envolvendo adolescentes nas plataformas.

Segundo o depoimento, Béjar criticou a forma como a empresa avaliava a segurança dos usuários. Na visão do ex-funcionário, a Meta dava mais atenção às violações das regras internas do que aos danos que os usuários efetivamente poderiam sofrer.

Os estados americanos tentam demonstrar que a Meta conhecia os problemas e não teria feito o suficiente para corrigi-los. A empresa, por sua vez, nega as acusações e afirma que trabalha para proteger crianças e adolescentes.

Entre os pontos questionados estão sistemas de recomendação de conteúdo, rolagem contínua e outras ferramentas que podem estimular o usuário a permanecer mais tempo conectado. A acusação também envolve alegações de que a empresa teria falhado em impedir a presença de crianças menores de 13 anos e na proteção dos dados desses usuários.

E o que isso tem a ver com o Sertão?

Pode parecer uma disputa distante, em um tribunal da Califórnia, mas a discussão chega diretamente à rotina de muitas famílias daqui. Instagram e Facebook fazem parte do dia a dia de comerciantes, estudantes, agricultores, pequenos empreendedores, produtores de conteúdo e famílias que usam as redes para trabalhar, vender, divulgar e manter contato com parentes que vivem longe.

Ao mesmo tempo, crianças e adolescentes estão cada vez mais presentes nessas plataformas.

Por isso, o resultado do processo pode ter consequências que vão muito além dos Estados Unidos. Caso a Justiça determine mudanças no funcionamento das redes, a pressão sobre as grandes plataformas para rever mecanismos de engajamento de menores poderá crescer também em outros países.

Os estados também pedem punições financeiras de valores muito altos. Estimativas apresentadas no processo chegam a centenas de bilhões de dólares, mas ainda não existe uma condenação e não é possível afirmar qual seria o valor de uma eventual penalidade.

O julgamento deve durar aproximadamente seis semanas e poderá ouvir nomes importantes da empresa, entre eles Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, e Adam Mosseri, chefe do Instagram.

Por enquanto, nenhuma decisão definitiva foi tomada.

O que está em jogo é maior do que uma disputa entre governos americanos e uma gigante da tecnologia. A discussão envolve uma questão que também está cada vez mais presente nas famílias sertanejas: como aproveitar os benefícios das redes sociais sem deixar que crianças e adolescentes fiquem expostos a mecanismos criados para mantê-los conectados por cada vez mais tempo.

O julgamento está apenas começando, mas o resultado poderá influenciar o futuro das redes sociais e a maneira como milhões de pessoas usam essas plataformas.

Minuto a Minuto

Leia no site: www.osertao.com.br