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Trump retrata Estreito de Ormuz como território dos EUA e amplia tensão com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta terça-feira o tom da crise com o Irã ao publicar nas redes sociais uma imagem na qual o Estreito de Ormuz aparece identificado como “novo território dos Estados Unidos”.

A publicação ocorre em meio ao agravamento do confronto entre Washington e Teerã e à paralisação das negociações para um acordo que poderia reduzir as tensões na região.

A iniciativa de Trump reacendeu uma ameaça feita pelo presidente americano nos últimos dias. Na semana passada, ele havia indicado que pretendia declarar o estratégico estreito como território americano depois de uma eventual derrota do Irã. Na segunda-feira, Trump voltou a defender a possibilidade e afirmou que os Estados Unidos já exerceriam controle sobre a passagem marítima por meio do bloqueio naval mantido na região.

Apesar da declaração e da imagem publicada pelo presidente, não houve uma anexação formal do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos. A publicação representa uma reivindicação política de Trump e não altera, por si só, o status jurídico internacional da área.

O Estreito de Ormuz está localizado entre o Irã e Omã e é uma das principais rotas marítimas do planeta para o transporte de energia. Antes da atual crise, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente passava pela região, o que transforma qualquer interrupção no tráfego em uma ameaça para os mercados internacionais e para o abastecimento energético.

Irã rejeita reivindicação americana

A reação de Teerã foi imediata. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou a posição de Trump como uma ilusão e afirmou que o estreito pertence ao Irã. Segundo o diplomata, a reivindicação americana não será aceita pelo governo iraniano.

A liderança iraniana também sustenta que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições estabelecidas em um acordo provisório firmado em junho.

Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão o fim do bloqueio americano aos portos iranianos, a suspensão das sanções relacionadas ao petróleo, a liberação de ativos iranianos congelados e o encerramento das ameaças e operações militares dos Estados Unidos contra o país.

Negociações entre Washington e Teerã estão paralisadas

A crise diplomática se agravou depois que expirou, em 17 de agosto, o prazo de 60 dias previsto no entendimento firmado entre os dois países em junho. O acordo tinha como objetivo abrir caminho para negociações mais amplas, incluindo questões relacionadas ao programa nuclear iraniano e ao fim do conflito.

No entanto, as partes não chegaram a um entendimento sobre os principais pontos da negociação. Trump afirmou nesta terça-feira que não existem conversas em andamento nem novas negociações programadas com o Irã.

O governo iraniano, por sua vez, mantém a posição de que o estreito só será reaberto quando Washington atender às condições estabelecidas por Teerã.

Bloqueio naval aumenta preocupação internacional

Trump também afirmou que o bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz continua em vigor. O presidente declarou ainda que as minas marítimas existentes na região teriam sido removidas ou detonadas e que a passagem estaria aberta.


A afirmação, porém, ocorre em um cenário de forte redução do tráfego marítimo. A movimentação de navios pela região caiu significativamente desde o início da crise, refletindo o aumento dos riscos para embarcações comerciais. Um navio também foi atingido recentemente no estreito, aumentando a preocupação entre empresas de transporte marítimo e governos da região.

Risco para o petróleo e para a economia mundial

O impasse no Estreito de Ormuz ultrapassa a disputa territorial e militar entre Estados Unidos e Irã. A região é considerada um dos principais pontos de passagem para o comércio mundial de energia.

Uma interrupção prolongada no transporte de petróleo e gás pode provocar aumento dos preços internacionais dos combustíveis, elevar os custos de transporte e pressionar a inflação em diversos países.

Analistas também acompanham com preocupação a possibilidade de uma escalada militar. Quanto maior o período de interrupção do tráfego, maior tende a ser a pressão sobre os mercados de energia e sobre países que dependem das importações provenientes do Golfo Pérsico.

Crise entra em nova fase

A publicação de Trump representa mais um capítulo de uma crise que combina confronto militar, disputa pelo controle de uma das principais rotas energéticas do mundo e fracasso das negociações diplomáticas.

Enquanto Washington mantém o bloqueio naval e aumenta a pressão sobre Teerã, o governo iraniano afirma que não aceitará a reivindicação americana sobre o estreito e condiciona sua reabertura ao cumprimento de suas exigências.

Com as negociações paralisadas e os dois governos mantendo posições opostas, o Estreito de Ormuz permanece no centro da crise. Qualquer nova escalada militar na região poderá ter consequências não apenas para Estados Unidos e Irã, mas também para o mercado mundial de energia e para a segurança do comércio marítimo internacional.

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